O que não falamos sobre o autismo?
20/04/2019
Através de uma iniciativa da ONU, o dia 2 de abril foi escolhido como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O que conhecemos hoje sobre o chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA) consiste em um conjunto de sintomas e características que se manifestam geralmente em crianças até os 4 anos de idade. Os principais sinais do TEA são: comportamentos repetitivos, chamados “estereotipados”, olhar distante e alheio, dificuldade nos relacionamentos sociais e no estabelecimento de vínculo. Incluído como diagnóstico nosológico na década de 40, as principais causas do TEA foram relacionadas aos cuidados dos pais nos primeiros anos de vida do bebê. De lá para cá, muitos profissionais da área médica e demais profissionais da saúde mental, em seus estudos, culpabilizaram as mães pela sintomatologia das crianças diagnosticadas com TEA. Ainda hoje existem profissionais que se utilizam desses estudos datados e pouco confiáveis para estabelecer um tratamento. Isso demonstra o quanto um entendimento reducionista e marcado por certos sintomas da cultura, como, por exemplo, criar uma explicação dita “científica”, calcada em uma estrutura social que coloca mulheres como aquelas que devem ser responsabilizadas sozinhas pelos cuidados da criança, gera efeitos. As mães dessas crianças ainda hoje sofrem em decorrência destas culpabilizações, e os tratamentos sugeridos por certos profissionais geram ainda mais sofrimento às famílias, principalmente às mulheres. Um caso de sofrimento psíquico na infância não pode ser avaliado, diagnosticado ou pensado de forma simples. Saber que um conjunto de sintomas, como os que citamos anteriormente, tem um nome, o TEA, por exemplo, não pode fazer com que os profissionais da área se acomodem às respostas descritivas e rápidas, nem utilizem como tratamento fórmulas prontas. Não há fórmulas, e, embora tal condição psíquica seja nomeada, não é adequado inferir que todas as crianças com TEA são iguais, nem lançar sobre as suas famílias um olhar unívoco e raso. A principal função do Psicanalista, ou do Psicólogo, que recebe essas crianças e as suas famílias em seu consultório, é a de olhar cada caso de forma singular, buscando a melhor forma de intervenção, sem cair na falsa ideia de que há uma fórmula universal e generalista de tratar qualquer sofrimento psíquico.
 

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